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A cidade e o cidadão inteligente

Uma cidade inteligente não pode levar em conta apenas o aspecto tecnológico, afinal, uma cidade é basicamente composta de pessoas. É essencial, portanto, começarmos a falar mais sobre o cidadão inteligente. Por Grazielle Carvalho *


Uma cidade é como uma equação. A gestão da cidade pretende chegar a um resultado, mas, para isso, depende de muitas variáveis. Uma cidade inteligente, ou smart city, visa a um maior controle desse resultado, buscando regular, monitorar e conhecer melhor suas variáveis.

O conceito de smart city vem ficando bastante conhecido, graças à promoção de tecnologias e à difusão de conceitos como IoT, Machine Learning, Big Data e, sobretudo, Transformação Digital. No entanto, apesar da popularidade crescente da “cidade inteligente”, poucos consideram a variável humana desta equação: o cidadão.

Uma cidade inteligente é aquela onde a participação cidadã está presente em todos os momentos de tomada de decisão, apoiando-se nos processos e nas tecnologias mais adequadas e eficientes ao seu alcance.

Muitas são as empresas que estão no mercado lançando, a todo o momento, ferramentas tecnológicas, sensores e aplicativos para criar esse canal de comunicação entre o governo e o cidadão.

Isso nos leva à questão: será que o cidadão brasileiro está preparado para participar ativamente deste processo político e coletivo que é administrar uma cidade e disposto a aceitar as novidades, tanto em tecnologias quanto em metodologias, e a colocar os interesses coletivos acima dos interesses pessoais, assumindo as responsabilidades do seu voto e, sobretudo, aceitando o que a maioria escolher?  

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Quais as características do Cidadão Inteligente?

Conhecedor das necessidades do seu bairro, mas também da sua cidade como um todo, o smart citizen, ou cidadão inteligente, apresenta algumas habilidades importantes para essa nova era do planejamento territorial. Afinal, ser um cidadão inteligente não está apenas relacionado com algum artefato tecnológico que se possa adquirir em uma loja.

O cidadão inteligente está, sim, conectado às redes e canais tecnológicos de comunicação. Ele não vive sem acesso à informação, a um mínimo de tecnologia ou sem wi-fi, pois tem plena consciência da melhora na qualidade que tudo isso trouxe para a vida em sociedade.

Contudo, o smart citizen é também aquele ser social, engajado e participativo, que acompanha as decisões que afetam o seu dia-a-dia junto ao poder legislativo e executivo local. Ele tem capacidade de construir sua própria opinião com base no que acessa, não se prende a uma única fonte e, sobretudo, é aquele que tem um elevado grau de empatia.

Empatia é a capacidade psicológica de se colocar no lugar do outro, para sentir o que o outro sente, caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Essa característica, em um processo coletivo de tomada de decisão, é extremamente importante, pois, ao votar sobre uma ação que o governo local deve fazer, o cidadão deve ser capaz de votar não apenas naquela atividade que vai beneficiar o seu próprio bairro, mas em atividades e ações que vão beneficiar o coletivo e, em alguns casos, abrir mão da política pública que beneficiaria exclusivamente o seu bairro em favor de outro mais carente, de forma a favorecer o desenvolvimento da cidade como um todo.

O cidadão inteligente entende que uma cidade boa para ele é uma cidade boa para todos. Ele sabe que investir em apenas uma parte da cidade gera impactos sociais e econômicos no todo, não sendo possível fingir que alguns problemas identificados em algumas áreas da sua cidade (violência, baixo dinamismo econômico, baixa qualidade no ensino) não o afetarão.

Enfim, ele tem a consciência de que a cidade é uma grande teia, funciona como um sistema integrado e complexo e que somente ações que consideram o ganho coletivo podem resultar em uma cidade com qualidade de vida para todos. 


Exercício da cidadania inteligente

Com base em todas as características apontadas acima, é possível perceber que também precisa ser feito um trabalho com a população de uma cidade, em nível pessoal, para a construção da cidadania inteligente. 

Além de uma transformação digital, a cidade precisa de uma transformação social. E, logicamente, a segunda é inerente à primeira.

O processo de transformação digital, tão ligado à noção de smart city, refere-se, acima de tudo, aos efeitos dessa transformação na sociedade, para a melhoria e amadurecimento dos processos e dos negócios, em todos os segmentos da sociedade, inclusive no setor público e na gestão da própria cidade. 

A sociedade precisa, portanto, exercitar a cidadania inteligente, se quiser atingir os resultados almejados. 

Os gestores do setor público ou privado, que formulam as políticas da cidade ou das empresas, precisam desenvolver planos que levem em consideração as mudanças culturais que enfrentarão à medida que os trabalhadores e os líderes organizacionais se ajustarem à adoção e ao uso de tecnologias e de processos não familiares.

Enfim, o cidadão inteligente não nasce junto com a cidade inteligente. Ele precisa ser criado, ensinado, preparado para os desafios que surgem com uma mudança como essa.

E você? Acredita já estar preparado para viver em uma cidade inteligente?

Saiba mais sobre Smart Cities no nosso artigo: SMART CITY: AFINAL, O QUE É E COMO UMA CIDADE SE TORNA “SMART”.


Grazielle Carvalho – Geógrafa, Doutora em Modelagem de Cenários para o Planejamento de Territórios Smarts, Especialista de Soluções na Hubse. Email: grazielle.carvalho@hubse.com.br.

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